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Medalha destaca a importância de se investir em Minas Gerais

Homenageados na Medalha Inconfidentes destacam a importância de se investir e acreditar em Minas Gerais

Neste ano, a cerimônia realizada no Centro de Artes e Convenções da UFOP contou com 170 agraciados

 

O esforço diário para desenvolver e tornar Minas Gerais um Estado cada vez melhor. Esse foi o sentimento relatado pelos agraciados na Medalha da Inconfidência, realizada neste sábado (21/4), em Ouro Preto. Durante a solenidade, foram entregues comendas – a maior honraria concedida pelo Estado de Minas Gerais – a 170 personalidades e instituições que contribuíram para o desenvolvimento de Minas Gerais e do Brasil.

Dentre os agraciados com a Grande Medalha, destaque para a vereadora do Rio de Janeiro e ativista dos direitos humanos Marielle Franco, que recebeu a comenda in-memoriam. A entrega da honraria foi feita à sua companheira Mônica Tereza Benício, que destacou a presença das causas sociais levantadas diariamente pela vereadora, assassinada a tiros no mês de março na capital fluminense.

“Na verdade, apesar da tristeza que hoje paira sobre nós, a causa é nobre. A vida dela foi uma vida de luta, de um trabalho de muita construção, sempre em cima da pauta sobre os direitos humanos. Infelizmente, o momento não é o mais adequado, mas essa medalha em algum momento seria entregue a ela, de alguma forma. A ideia é que o legado dela não se perca, o trabalho tenha continuidade, não só por meio dos eventos, mas também das ações diárias de luta, levando as pautas contra o racismo, contra a homofobia, contra o genocídio às pessoas negras, levando a bandeira do feminismo, dando continuidade as ações dela de forma diária”, disse.

O Prêmio Nobel da Paz de 1980 e também ativista dos direitos humanos, o argentino Adolfo Pérez Esquivel, apesar de não ter comparecido, também foi homenageado pela sua contribuição ao mundo. Em 1974, na cidade de Medellin, na Colômbia, o argentino coordenou a fundação do Servicio Paz y Justicia en América Latina, junto com bispos, teólogos, militantes, líderes comunitários e sindicalistas. Ainda atuou no enfrentamento a crimes de tortura e desaparecimento forçado de militantes políticos e agentes comunitários praticados pelas ditaduras militares por toda a América Latina. Por essa atividade, Esquivel recebeu o Nobel da Paz de 1980.

Quem também destacou a importância de ser construir legados para evolução do mundo foi o ex-ministro Renato Janine Ribeiro, agraciado com a Grande Medalha. “Recebo com muita alegria essa homenagem de um governo que é popular. Eu entendo que receber essa medalha é também um reconhecimento à importância da educação. Apesar de o Brasil viver hoje uma crise muito séria do pondo de vista político, ético, social, neste momento ter na educação seu exemplo, pode ser um dos bons motivos para a gente sair disso”, reforçou.

A pequena Esthéfany Rodrigues Ribeiro (10 anos) entendeu a importância de receber a honraria. Em fevereiro, ela sofreu um acidente com um grupo de alunos a caminho da escola em São João Batista do Glória, Território Sul, quanto a Kombi que transportava os estudantes caiu em um barranco. Todas as vítimas foram resgatadas graças ao ato heroico dela e de sua colega Ana Clara Garcia de Oliveira, de 15 anos, também homenageada. “Foi um dia muito triste, mas hoje eu estou feliz por ser lembrada e ganhar até uma medalha”, disse, emocionada.

Quem também acredita que o trabalho em prol do ser humano pode melhorar Minas Gerais é o representante do Cárita Brasileiro, Regional Minas Gerais, Rodrigo Pires Vieira. A instituição internacional, ligada às dioceses da Igreja Católica, tem como propósito ajudar as pessoas mais pobres, dando a elas dignidade. “Nós temos vários projetos na área alimentar, da promoção de hortas comunitárias, de lavouras comunitárias, associações e cooperativas. Essa medalha nos mostra que estamos no caminho certo. Queremos cada vez mais trabalhar e divulgar nossas ações em todo mundo. Hoje estamos em mais de 200 países e nosso propósito é fazer o bem”, afirmou.

Com 67 anos de estudos somente na área eleitoral, Eleonora Fernandes Rennó, conta que está aposentada do Tribunal Regional Eleitoral, mas que a cada ano sente o peso e a importância da democracia para Minas Gerais e para o país.  “Já recebi outras medalhas, mas me sinto feliz por ser lembrada ainda hoje pelo meu trabalho em prol da democracia. O direito eleitoral é o mais democrático de todos, tem muito valor diante da lei, porque cada um é um voto. E é esse o apelo que eu faço, da consciência nesse voto, pois é uma coisa muito importante que nos foi confiada e que pode mudar a vida não só dos mineiros, mas também de todo país”, disse.

O prefeito de Ouro Preto, Julio Pimenta, relembrou a importância histórica e democrática de cidade, destacada na data de hoje. “Ouro Preto se orgulha por ser o berço, o palco das celebrações do dia 21 de abril. Todo pais reflete sobre a Inconfidência Mineira, momento de obstinação do nosso povo, que se expressou de forma veemente, contribuindo para os alicerces da independência da nação”, afirmou.

 

Social

Artesã há mais de 70 anos, Dona Cecília Matias do Carmo Ferreira, natural de Ouro Preto, se emocionou ao receber a medalha. “Com essas mãos eu trabalho há muitos desses meus 80 anos. Crochê, eu comecei com 8 anos de idade. Passei meu ofício para varias gerações.Estou e fiquei muito emocionada pelo reconhecimento de Minas Gerais pelo meu trabalho. Apesar de já estar com 80 anos, eu espero ganhar outros prêmios como esse”, afirmou.

O cantor Mauricio Tizumba disse se sentir honrado com a homenagem. “Para mim, essa medalha é um ato de alegria, de reconhecimento do meu trabalho em prol da cultura afro, e por isso eu me sinto super honrado, alegre e feliz, mas certo de que há muito o que mudar em favor do povo mineiro e dos brasileiros. Hoje estamos aqui por conta de Tiradentes, um grande herói”, reforçou.

Ofélia de Lourdes de Hilário, conselheira da Associação Afro Cultural de Betim CorBrasil, fez da homenagem a continuidade da sua luta diária contra o preconceito e divulgação da cultura afro. “Eu sou militante, desde a adolescência, de movimentos negros e contra todas as formas de discriminação, junto às comunidades mais carentes, nas vilas, nas favelas, em associações de bairro, lutando para a dignidade do nosso povo, para que as pessoas tenham igualdade de oportunidade. Por isso essa medalha me mostra que eu estou no caminho certo”, frisou.

Para Túlio Madureira da Silva, produtor de queijo artesanal do Serro, o agraciamento com a Medalha Grau Inconfidência é o reconhecimento do seu trabalho e do setor. “Para mim, é uma honra receber essa medalha e me tornar realmente um inconfidente nessa luta, principalmente pela nossa causa. Porque o queijo faz parte da história e da economia de Minas Gerais, e a gente tem lutado para a valorização e legalização do queijo artesanal”, complementou. 

 

Cerimônia

Criada em 1952 pelo governador Juscelino Kubitscheck, a Medalha da Inconfidência possui quatro designações: Grande Colar, Grande Medalha, Medalha de Honra e Medalha da Inconfidência.  Foram 40 agraciados com a Grande Medalha, 58 com a Medalha de Honra e 72 com a Medalha da Inconfidência. De acordo com a Constituição do Estado, o governador Fernando Pimentel baixou decreto transferindo simbolicamente a capital de Minas Gerais para Ouro Preto. A cidade foi a capital mineira de 1823 até 1897.

Neste ano, atendendo aos pedidos da população e para minimizar os impactos na rotina da comunidade local, como, por exemplo, o fechamento de vias importantes da cidade, o Governo de Minas Gerais realizou a solenidade em dois momentos distintos.

A entrega da Medalha da Inconfidência, que exige mais estrutura e tem maior impacto no dia a dia dos ouro-pretanos, ocorreu no Centro de Artes e Convenções da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Com a mudança, a cerimônia durou, entre preparativos e solenidade, menos de 24 horas. Em anos anteriores, o local chegou a ficar fechado por mais de 10 dias.

A demanda partiu de lideranças políticas, comerciantes e moradores, afetados pela realização do evento, e foi encaminhada ao governo por meio de ofício. A manutenção, no entanto, de parte da solenidade na Praça visa preservar as tradições da entrega da maior honraria concedida pelo Estado de Minas Gerais.

Na Praça Tiradentes, o governador  foi recebido com honras militares. Em seguida, colocou flores no monumento a Tiradentes e recebeu o fogo simbólico, fazendo o acendimento da Pira da Liberdade. Houve também salva de 21 tiros. O hino nacional do Brasil foi executado pela Banda de Música da Polícia Militar de Minas Gerais. Na sequência, Fernando Pimentel seguiu para o Centro de Artes e Convenções da UFOP, acompanhado por crianças das escolas municipais de Ouro Preto e Rio Doce, onde entregou a Medalha da Inconfidência.

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